sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Caminho de Santiago de Compostela de Bike


Já faz mais de dois anos que eu e o Paulo percorremos o Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta, viagem que acabou se tornando uma das mais bacanas que já realizamos, e da qual ainda lembramos com muito carinho, saudade e emoção.

Naquela época, julho de 2011, o No Pé e No Pedal era apenas um projeto e acabei escrevendo sobre a viagem em outro local, no pensamentos inadequados, blog que mantenho há alguns anos.
 
Nos posts publicados naquele blog, é possível encontrar diversas informações práticas sobre o Caminho de Santiago, sendo que as dicas são predominantemente sobre o chamado Caminho Francês, tido como o mais tradicional dos caminhos que levam a Santiago de Compostela.

Se você é um futuro bicigrino/peregrino e tem dúvidas sobre aspectos práticos, logísticos etc., sugiro que dê uma olhadinha nos posts e espero que eles possam ajudá-lo.

Para ler os posts com as dicas sobre o Caminho, clique aqui.
 
Para ver fotos do Caminho Francês, clique aqui.

Para ver fotos do trecho de um dos Caminhos Portugueses que fizemos ao contrário (de Santiago ao Porto), clique aqui.

Ops, e, claro, buen camino! :)

P.S.: A foto deste post é minha.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Yoga no Cicloturismo

É com um gostinho bom de missão cumprida e com muita alegria que eu, Pepê e o grande amigo Fábio Faleiros disponibilizamos, após meses de estudos, reuniões, trocas de e-mails e sessões de fotos, uma série de posturas de yoga especialmente elaborada para cicloturistas e ciclistas em geral, além de alguns exercícios de respiração que,  apesar da simplicidade, têm o poder de nos conectar um pouquinho mais com a nossa energia.

A ideia deste trabalho surgiu no ano passado, quando eu e o Pepê retornamos da viagem de bike pela Itália e pela França. Fazendo comparações com cicloviagens anteriores, percebemos o quanto a prática de yoga havia melhorado a qualidade da nossa viagem e, em conversas com o Fábio, ciclista, cicloturista e professor de yoga, percebemos que compartilhávamos as mesmas impressões sobre a relação entre a bike e o yoga.

Empolgada, sugeri o tema para o Clube de Cicloturismo do Brasil, que prontamente a acolheu!

O material que estamos publicando foi, então, especialmente criado para o mini curso

"YOGA NO CICLOTURISMO
Como tornar a sua cicloviagem mais confortável utilizando posturas e técnicas de respiração baseadas no método Iyengar Yoga. Sugestão de uma série de posturas elaborada sob o enfoque das principais cadeias musculares envolvidas na pedalada, a fim de promover seu alongamento e fortalecimento, e de técnicas de respiração energizantes e/ou relaxantes, para serem utilizadas durante a cicloviagem.",

apresentado no 12º Encontro Nacional de Cicloturismo, promovido pelo Clube de Cicloturismo do Brasil.

As posturas sugeridas são bastante simples e contêm indicações de como praticá-las de modo a obter o máximo dos seus benefícios. O uso de acessórios e suportes como uma manta, um degrau, uma toalha enrolada, uma superfície inclinada ou uma parede, além do foco no alinhamento, vêm do método Iyengar Yoga, escolhido como base do nosso trabalho.

É necessário ressaltar que ficamos muito felizes com o interesse que os cicloturistas presentes no Encontro demonstraram pelo mini curso. A cada ano fico mais impressionada com a energia, a solidariedade, a bondade e a curiosidade que brota desses seres que saem pedalando por aí, com umas mudas de roupa no bagageiro e o coração aberto pro mundo. Vocês são maravilhosos.

Nosso muito obrigada ao Clube de Cicloturismo do Brasil pela oportunidade de transformarmos uma ideia em realidade e por nos manter unidos numa grande comunidade de "malucos beleza", viajantes e sonhadores.

Para acessar a série de posturas e as sugestões de exercícios de respiração, clique AQUI.

P.S.: Para saber um pouco mais sobre a história que nos levou a este trabalho, recomendo o artigo escrito por Fábio Almeida. Para lê-lo, clique aqui.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Trilha da Pedra das Flores


Pertinho de São Paulo, um ótimo programa para o final de semana é fazer uma caminhada na Serra do Lopo pela trilha que leva à Pedra das Flores e à Pedra do Cume.

A Serra do Lopo fica em Extrema, MG, e oferece um visual surpreendentemente bonito. Por ser um grande platô, é possível aproveitar o passeio para programar um piquenique na Pedra das Flores, onde a paisagem, incrementada pela vista das águas da represa de Joanópolis, SP, merece ser apreciada com calma.


Na ótima matéria sobre Extrema publicada no ano passado na revista Taxi Cultura você confere mais informações sobre as opções turísticas que a cidade oferece e sobre a trilha da Pedra das Flores. É só clicar aqui!


P.S.: As fotos deste post são minhas!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Fotos do Pedal em Paris

Paris/Foto: Camila Guido

Só faltava ela para completarmos as imagens da nossa viagem de bike pela Itália e pela França: Paris.

Fechando a viagem e, coincidentemente, o recheado ano de 2012, selecionamos algumas das nossas fotos preferidas dos dias que passamos pedalando e caminhando pela Cidade Luz. Nada melhor que Paris para relembrar a viagem, celebrar as conquistas do ano que está terminando e receber, com a alegria que emana da cidade, o ano que está por vir. Viva 2013, viva a vida!

Para ver as fotos, clique aqui!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Itália e França de Bike - Onde Ficar

Descolar hospedagem quando se está viajando de bike nem sempre é uma tarefa fácil, pois não são todos os hotéis, pousadas e afins que possuem um local (garagem, quartinho, cantinho de corredor etc.) para guardar a bicicleta. Ao contrário do que aconteceu conosco enquanto percorríamos o Caminho de Santiago (o francês e um trecho do português), ao longo da viagem pela Itália e pela França tivemos algumas dificuldades relacionadas à hospedagem, agravadas pelo fato de precisarmos de um lugar seguro para deixar as bicis durante a noite.

Em primeiro lugar, a viagem aconteceu em pleno verão, alta temporada na Europa, e nosso roteiro englobava locais bastante turísticos. Além disso, nós estávamos dispostos a não fazer reservas nem planejar excessivamente nosso percurso, deixando a viagem rolar. Por fim, não estávamos levando equipamento de camping, o que nos deixava mais leves para encarar os paredões diários que tínhamos que escalar pedalando mas, ao mesmo tempo, restringia nossa liberdade de dormir onde quiséssemos.

No final das contas, tivemos, em alguns momentos, que deixar de lado a ideia de não fazer reservas e chegamos a agendar hotéis com vários dias de antecedência, sendo obrigados, inclusive, a fazer paradas (que depois se revelaram excelentes) em cidades que não necessariamente estavam na nossa rota.

Para garantir que nossas bicicletas seriam aceitas, tentávamos reservar algum dos estabelecimentos indicados nos dois guias específicos para bike que mencionei aqui, ou, na pior das hipóteses, ligávamos antes e perguntávamos se as magrelas eram aceitas naquele local. Num determinado momento, resolvemos comprar uma barraca mas, após entrar em contato com alguns campings, descobrimos que até eles exigiam reserva com vários dias de antecedência, pois tudo estava lotado! Desistimos.

Tentamos usar vários sites de busca de hospedagem ao longo da viagem, alguns novos para mim, mas, depois de alguns testes, desencanamos e usamos basicamente o bom e velho Booking.com, que sempre apresentava as melhores tarifas, mais opções de estabelecimentos e especificações seguras quanto à existência de garagem privada no local.

A seguir, uma relação de estabelecimentos que aceitaram nossas bikes numa boa:

- MILÃO: Hotel La Residenza


- PITIGLIANO: Hotel Corano

- CASTEL DEL PIANO: Albergo Stella

- MONTALCINO: Albergo Giardino

- SIENA: Hotel Minerva

- SAN GIMIGNANO: Hotel Bel Soggiorno

- RADDA IN CHIANTI: ficamos em uma pensão que talvez seja a Pensione Elio Pistolesi

- FLORENÇA: Hotel Fiorino

- LA SPEZIA: Hotel Astra

- LEVANTO: Ca´ Del Golfo


- VENTIMIGLIA: Hotel Calypso



- FRÉJUS: Atoll Hotel


- COMPS-SUR-ARTUBY: Grand Hôtel Bain

- LES SALLES-SUR-VERDON: Hôtel Sainte Anne

- MOUSTIERS-STE-MARIE: Hotel le Belvédère


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Manosque - Paris

Paris/Foto: Pepê

Quando eu escrevi, aqui, ainda antes da viagem começar, que "o Universo costuma ser muito generoso com os viajantes de coração e mente aberta", não imaginei que fossem ser tantas as boas surpresas que aconteceriam ao longo da nossa trip pela Itália e pela França de bike.

Fomos presenteados com paisagens e lugares muito mais bonitos do que esperávamos, com ajuda em momentos inusitados e cruciais (como quando deparamos com um trecho de estrada interditada e fomos ajudados a transpor duas mega crateras por um casal de ciclistas da região, que, numa estrada meio deserta, apareceram do nada), com acontecimentos que nos fizeram mudar um pouco os planos e acabaram por permitir que conhecêssemos e desfrutássemos melhor alguns locais, e com outros pequenos detalhes que, somados, nos faziam, quase que diariamente, agradecer ao "Papai do Céu" pela surpresinha.

A cicloviagem terminou em Manosque, onde pegamos um trem para Paris, para, 6 dias depois, retornarmos a São Paulo.

Como na França é necessário fazer reserva para bicicletas em determinados trens e como não havia reservas disponíveis em trens de alta velocidade para os próximos dias (lotação esgotada), fizemos um tour pela França de trem, numa viagem que durou mais de doze horas e que, de novo, nos surpreendeu com visuais incríveis (como os trens que pegamos não eram de alta velocidade, dava pra curtir a paisagem numa boa).

De Manosque descemos mais ao sul, até a estação de trem de Marselha; em Marselha, embarcamos em outro trem rumo a Clermont-Ferrand, cidade localizada no Maciço Central da França, uma região linda de doer e que deve render um pedal incrível. Finalmente, de Clermont-Ferrand fomos para Paris, onde chegamos por volta das onze da noite (saímos de Manosque por volta das oito da manhã). Tínhamos reserva nesse último trem (aparentemente não era necessário reserva para os dois primeiros) e a bicicletas puderam ser transportadas inteiras e fora do mala bike em todos eles.

Ficamos seis dias em Paris, livres, leves, caminhando e pedalando horrores. Eu já havia estado na cidade em duas outras ocasiões, mas nunca havia pedalado por suas ruas. Paris by bike é outra Paris, ainda mais linda e mais divertida. De bicicleta, visitamos, além das atrações básicas, os dois grandes parques localizados a leste e a oeste da cidade, o Bois de Vincennes e o Bois de Boulogne, respectivamente. Ambos são imperdíveis.

Dica básica: ao deixar sua bicicletinha (que você foi equipando ao longo de meses/anos e que atualmente tem um toque de nave espacial) parada numa rua de Paris ou de alguma outra grande cidade, lembre-se de travar tudo o que for possível, inclusive rodas e banco. No geral, as bikes que circulam cotidianamente pelas ruas de Paris (e de outras cidades, como Florença) são bicis mais simples e era notável o quanto nossas bicicletas chamavam a atenção das pessoas. Lembre-se: do mesmo jeito que sua carteira pode sumir no metrô de Paris, Madri ou Barcelona, não é aconselhável dar mole com a sua querida bicicleta só porque você está na Europa.

Ah, e não dá pra falar de bike em Paris sem lembrar das ciclovias: são quilômetros e quilômetros, uma maravilha urbana!!

Sobre bicicletas no metrô e na RER, as regras, de acordo com a segunda edição do Lonely Planet Cycling France guide, são:

- metrô: bicicletas não são permitidas, exceto na linha nº 1 (La Défense a Château de Vincennes), nos domingos, até as 16h30min. As estações Louvre e La Défense-Grande Arche não são equipadas para bicicletas.

- RER: bicicletas são permitidas nas quatro linhas durante todo o final de semana e, durante a semana, fora dos horários de pico (6h30min às 9h e 16h30min às 19h). Sempre use os vagões marcados com o logo da bicicleta (normalmente o primeiro ou o último). Passageiros com bicicletas não podem entrar ou sair das estações em Aubur, Châtelet-Les-Halles, Cité Universitaire, Charles de Gaulle-Étoile, Denfert-Rochereau, La Défense-Grande Arche, Luxembourg, Nation, Port Royal e St Michel-Notre Dame.

O aeroporto Roissy Charles de Gaulle (CDG) fica a 30 quilômetros a nordeste de Paris e, para chegarmos até ele no dia da nossa volta ao Brasil, utilizamos um táxi, o que nos pareceu a melhor solução.

Depois de alguma observação na entrada de uma estação de trem, descobrimos que duas empresas poderiam atender nossa necessidade de um carro grande o suficiente para acomodar duas bicicletas já embaladas em seus respectivos mala bikes, bagagens e duas pessoas: TAXISG7 e Les Taxis Bleus. Fomos atendidos pela TAXISG7. Detalhe: especifique BEM o tipo de taxi que você precisa, ou seja, o tamanho do carro. Os MaxiCabs e Horizons, da TAXISG7, são perfeitos. Caso as bicicletas sejam mencionadas ao fazer o pedido do táxi, deixe claro que elas serão transportadas embaladas e meio desmontadas. Do contrário, eles não mandarão o táxi. O preço da viagem é determinado pelo taxímetro e é cobrada uma taxa extra, de 9 euros, salvo engano, pela bagagem ou tamanho do carro (não recordo qual é o critério de cobrança). Pagamos, no total, menos de 50 euros (45, talvez); caso não tivéssemos pego trânsito, o valor teria sido bem menor.

Para compras de peças e acessórios de bike em Paris, recomendamos MUITO a Rando-Cycles (Rando Boutique) e a Bicycle Store.

A viagem terminou mas, nos próximos posts, ainda rolarão algumas dicas de hospedagem e de bicicletas em trens. Até!

sábado, 28 de julho de 2012

Pedalando pelo Parque Natural Regional do Verdon

Dia 21. Saímos Camps sur-Artuby relativamente cedo, para nós é claro, pois para boa parte dos cicloturistas o nosso cedo é tarde. Tínhamos uma expectativa que o dia seria longo. Primeiramente pelo fato de termos uma parede pela frente e por outro lado, o visual do cânion. E desta forma os fatos se concretizaram: 41,1 km em 4h06' de deslocamento com varias horas parado, o tempo era tanto que desligava o GPS para não gastar as pilhas, mas a velocidade média de deslocamento até que não foi das piores, pois fizemos 10 km/h. Neste dia descemos dos 906m do dia anterior para 520m e depois subimos aos 1222m e descemos mais um pouco. Este foi o dia da maior ascensão, entretanto as subidas eram longas garantindo uma inclinação menos abrupta. Sem dúvida este é um dos lugares mais bonitos que já pedalei (a Camila também é da mesma opinião), o tempo todo o abismo a nossa direita e o rio com sua cor verde rasgando o solo de calcário no fundo do cânion e apesar de estarmos pedalando em uma estrada, o transito é bem tranquilo e mesmo sem acostamento é possível curtir o visual. Pra mim é fascinante pensar que aquele rio ao longo milhares de anos foi lentamente sulcando a terra e formando toda aquela maravilha. São estas coisas que fazem a vida valer a pena. Poder ver de perto toda força da natureza, sentir os aromas, ouvir os sons, sentir o vento, enfim estar presente e perceber que somos um todo, que fazemos parte de tudo e que ao mesmo tempo somos tão pequenos. Viajar de bike é realmente uma das melhores coisas da vida. E assim foi este dia: visual e subida o tempo todo. O pedal deste dia terminou em Les Salles-sur-Verdon depois de uma descida incrível, baixamos mais de 450m continuamente a té chegar na beira de um lago enorme e maravilhoso que se forma ao final do cânion. A cidade é pequena e muito linda, vários Campings no entorno do lago e para variar todos lotados. Rolê no lago, jantarzinho e tibum na cama.

Dia seguinte um pedalzinho bem maneiro de apenas 16,5 km e velocidade média de 12 km/h um verdadeiro passeio. Em função da dificuldade de hospedagem e como já mencionado, nos finais de semana a coisa está bem complicada inclusive para conseguir vagas em Campings, nós tivemos que reorganizar os dias e os locais de hospedagem que ainda tinham vaga. Neste dia aproveitamos para curtir o lago (Lac de Sainte Croix) e o rio que corta o cânion, alugamos um caiaque tandem e remamos ao longo do Rio Verdon por 3 horas. O rio fica lotado de caiaques, canoas canadenses, pedalinhos (não como os nossos é claro) e até barquinhos elétricos. Uma verdadeira "Kizumba". Remar ao longo do rio por entre o cânion foi algo indescritível. Estar ali já valeu a viajem. Depois da aventura aquática rumamos para Moustiers-Ste-Marie. Esta é uma das cidades mais lindas de toda a viajem e está oficialmente entre uma das cidades mais lindas da França. A cidade está cravada no sopé da montanha que também é uma atração a parte. A cidade tem cerca de 650 habitantes e foi fundada por monges em 433 d.c. Uma verdadeira relíquia. E por falar em relíquia, nesta cidade existe uma estrela de ouro suspensa por um cabo de aço entre o cume de duas montanhas acima da cidade e segundo a lenda ela foi posta por uma pessoa que satisfeita por voltar viva das cruzadas ofereceu esta homenagem. A cada 100 anos o cabo é trocado. Esta estrela reflete o sol ao final do dia e seu brilho parece um pequeno sol acima da cidade. É realmente maravilhoso. Um pequeno rio com várias pequenas cachoeiras corta a cidade e em alguns trechos ele passa por entre o muro das constrições, uma beleza ímpar. E foi ai mesmo que jantamos, no jardim de um pequeno restaurante, que ao fundo fica uma destas cachoeirinhas com o rio contido pelo muro lateral do jardim.

23/07, último dia dentro do parque. Este pedal de 49,7 km foi predominantemente plano. A velocidade média foi de 14,1 km/h em 2h33' de deslocamento, mas também ficamos muito tempo parados (3h32'). Neste trecho ficam as plantações de lavanda. O visual é muito impactante e cheiroso. Imaginem pedalar sentindo o cheiro de lavanda no ar, sem contar com o colorido das plantações, é simplesmente indescritível. Por estes campos de lavanda, salpicados de girassóis e campos de feno, pedalávamos e parávamos para tirar fotos até chegar em Manosque, fim de nossa viajem pelas belezas e encantos da Toscana, Ligúria e Provença. Manosque é uma cidade grande, a maior da região com cerca de 20.350 habitantes de onde partem os trens para a Marseille e de Marseille os trens para Paris. Esta é a forma que optamos par ir a Paris, nosso destino final, pois de lá pegamos o avião para retornarmos para Sampa, mas a viajem ainda não acabou por completo, pois em paris tem mais pedal.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Rumo ao Grand Canyon du Verdon

Dia 19, saída de Fréjus; último dia de litoral. Abandonamos a Côte d'Azur rumo as montanhas do considerado grande Canyon da Europa (Gorges Du Verdon), com gargantas em torno dos 800 metros, muita vegetação e uma luz impar durante o verão. Este é o cânion mais largo da Europa localizado na Provença, região dos Alpes de Haute-Provence. Neste dia fizemos um pedal de 45 km até Flayosc numa ascensão de 620 metros. Flayosc é uma cidadezinha já no estilo medieval e ficamos hospedados num hotel bem bacana (Hotel La Viielle Batistide), construção de pedras com uma vista para as montanhas ao fundo. Como chegamos cedo e havia uma piscininha - tibum - para dar uma relaxada. Apesar de subirmos mais de 600 metros a subida foi suave porem contínua permitindo uma velocidade média de 13,9 km/h e geral de 10,4 km/h e um tempo de deslocamento de 3h15'. Nosso tempo parado este dia foi só de 1h10' e por isso não tiramos tantas fotos. As estradas neste dia estavam bem movimentadas principalmente para a sair de Fréjus (litoral) rumo ao interior. Pedalamos uns 10 km em trafego intenso com direito a grandes caminhões compartilhando o espaço da via. O sufoco só diminuiu quando entramos em uma estrada com trafego menos denso. O interessante por aqui é que as estradas não tem acostamento em sua maior parte (tanto na França quanto na Itália), mas na minha opinião é sempre relativamente tranquilo o pedal, de modo geral, o pessoal respeita o ciclista.

Hoje dia 20 fizemos um pedal ao bom e velho estilo Toscano. Saímos de Flayosc em direção a Camps sur-Artuby, uma das portas de entrada do Parque Natural Regional Du Verdon. Esta vila com ar medieval está a 906 metros de altitude e para chegar até aqui tivemos que vencer duas paredes. Apesar de Flayosc estar a 620 metros, descemos a menos de 200 metros para subir em dois tops (sobe e desce) bem puxados - o litoral nos acostumou mal. O caminho é predominantemente de estradinhas super arborizadas e com pouco fluxo de carro, um verdadeiro passeio não fosse as "paredinhas". Quando chegamos a uns 12 km antes do nosso destino, numa altitude acima dos 600 metros, o visual mudou e as montanhas e a visão do Cânion passou a ser constante. Não vou mais usar aquela expressão, pois é muita beleza o tempo todo. O litoral da Côte d'Azur é único, mas confesso que as montanhas me comovem muito mais. Neste dia percorremos 41,1 km com velocidade média de 10 km/h em 4h06', a velocidade média geral foi de 7,9 km/h com 1h05' parado. Neste dia como ficamos a maior pare do percurso por entre os bosques foram poucas as paradas para fotos. As paradas foram mesmo para descansar.

PS: Fotos deste post, aqui e aqui.

Côte d´Azur



Deixamos Ventimiglia, cidade que fica na fronteira da Itália com a França, na última segunda-feira, dia 16 de julho, encerrando o pedal pela Itália, que agora passei a chamar de "Itália, a Bela".

A estética peculiar e poética das plantações de vinhas, oliveiras e feno na Toscana, a arquitetura integrada à paisagem (até nos lugares mais luxuosos), as cinco vilas de pescadores da Cinque Terre, o perfume das muitas flores ao longo das estradas, os sabores fortes e marcantes, a pequena, linda e doce vila de Montalcino, as paisagens serenas e muitos outros elementos me fizeram marejar muito e, no final da história, acabei caindo de amores pela Itália.

Entramos na França e o panorama poético mudou um pouco. Os franceses são, no geral, mais sorridentes e ficam nitidamente empolgados com as bicicletas (hoje ganhamos uma garrafa grande de água gelada do dono do bar onde tomamos um café com leite pela manhã, para ajudar no pedal), mas estamos sentindo saudades da colorida Itália, com seu povo espalhafatoso e único.

De Ventimiglia pedalamos até Nice, passando por Menton (charmosa e colorida) e pelos infinitos túneis de Mônaco (inclusive pelo túnel que faz parte do circuito de Fórmula 1 de Mônaco, onde o Pepê se achou o próprio piloto), pasmos com a cor do mar (estupidamente azul) e, no meu caso, meio tensa com o movimento intenso de carros.

No dia seguinte, o percurso de Nice a La Napoule (vila com castelo à beira-mar) foi bem mais tranquilo, com quilômetros de ciclovias para amenizar a loucura dos carros. A badalada e ostensiva Cannes estava no meio do caminho e nela a ciclovia pela qual trafegávamos desde Nice desapareceu. O Pepê observou em Cannes uma quantidade enorme de carrões como Rolls Royces, Maseratis, Lotus, Ferraris etc., sendo muitos deles conversíveis, e todos parados no congestionamento!!!!!!!!!!! Lojas e mais lojas caríssimas e hotéis cuja palavra luxo não é suficiente para descrever as respectivas fachadas. Fiquei mega de bode com tanta bobagem e nem foto do palácio dos festivais tive vontade de tirar. De qualquer forma, passados alguns poucos quilômetros, tudo voltou ao normal e a farofa balneária retomou o domínio do cenário. (Sim, tem farofa adoidado na Côte d´Azur!!!!!!!!)

O último dia de pedal na Côte d´Azur (La Napoule - Fréjus) foi coroado com um visual emoldurado pelas rochas vermelhas do Maciço de l´Estérel e com uma caminhada de final da tarde pela praia, com direito a banho no rio que forma um grande lago e desemboca no mar. Sensacional!

Bem legal por aqui é a quantidade de motor homes pelas praias e pelas estradas em geral, quase todos transportando bicicletas! Por falar nas bicis, continuamos encontrando cicloturistas (vários casais, cuja faixa etária parece ultrapassar os 50 anos) e ciclistas de estrada.

O Pepê observou que a maioria esmagadora das bikes utilizadas pelos cicloturistas é de aro 700, tipo touring. As mountain bikes são raras e quase não se vê freio a disco.

Ontem nos despedimos do litoral e começamos a subida para o Parc Naturel Régional du Verdon, cujos detalhes você lerá por aqui, em breve!

PS1: O Pepê adora os números (enquanto eu sou a favor da morte do odômetro) e eu adoro o Pepê, então, lá vai:

Ventimiglia - Nice: distância: 54,7 km; velocidade média: 13,2 km/h; velocidade média geral: 7,9 km/h; tempo de deslocamento: 3:50´; tempo parado: 2:35´.

Nice - La Napoule: distância: 47,7 km; velocidade média: 12,5 km/h; velocidade média geral: 9 km/h; tempo de deslocamento: 3:50´; tempo parado: 1:30´.

La Napoule - Fréjus: distância: 35 km; velocidade média: 13,3 km/h; velocidade média geral: 9,7 km/h; tempo de deslocamento: 2:30´; tempo parado: 00:55´.

PS2: A Côte d´Azur nos deu uma trégua, mas ontem e hoje as subidas voltaram com força TOTAL. Enquanto escalava um paredão e procurava me manter íntegra e firme em cima da bike, lembrei daquele verso "there is no mountain too high". E não é que parece ser verdade?

PS3: As fotos da Côte d´Azur você vê aqui.